Vídeo de sábado: curta The Dress(por David Anthony Parkinson)

Muitas de vocês só devem conhecer a etapa final de um processo de produção de uma peça de roupa. Tudo chega mastigadinho, quase empurrado goela abaixo. A sociedade atual acabou deixando o artesanal de lado, a coisa feita à mão, e acabou se rendendo ao império das fast-fashion, que fornecem tendências mastigadas e impessoais em suas multi-araras espalhadas mundo afora. O capitalismo se uniformizou, e aquela coisa deliciosa de vestir uma peça feita pra você, unicamente, acabou meio de lado, deixada num cantinho…

Eu, pelo contrário, cresci na outra margem do rio, e quando mergulhei, continuei nadando da em sentido oposto, resistindo firmemente à correnteza. Acompanhei, desde muito nova, todo o processo de concepção de uma peça de roupa; aqui em casa, as conversas com as clientes, a procura do modelo nas revistas, a anotação das medidas, o tal do “ponto de prova”, e por fim, a peça finalizada, sempre foram – e continuam sendo – meu dia-a-dia ao lado da minha tia. E o que parece banal para muitos, me parece magia, ou qualquer outra coisa extraordinária que valha. Aprendi muito, inclusive a olhar um tecido e na mesma hora imaginar a peça pronta, e por isso, talvez, eu seja a companhia ideal de titia em suas compras de tecido e aviamentos desde meus 11, 12 anos. Já é intrínseco, natural, e espontâneo.

Ao que me parece não estou só, tenho visto uma galera desbravando o mundo da costura. Um estilista que não põe a mão na massa, não merece ser estilista. Tem que dominar a cadeia de produção, tem que costurar. Como saberia o caimento de uma peça desenhada se não passasse pela parte empírica da coisa?

E bem por isso eu super me identifiquei com o vídeo The Dress, de David Parkinson, que acabei achando no Vimeo ainda agora. O curta mostra bem esse caminho percorrido entre idealizar uma peça, e finalmente tê-la em mãos. Muito bacana:

Fascinante, né? Agora imaginem isso acontecendo com vocês? Toda vida que faço uma peça de roupa pra mim, que provo, e caio na real que saiu de minhas mãos, não dá pra descrever, é sublime essa sensação. Coisas de quem viu a vida inteira sonhos se transformando em realidade bem ali, a um palmo de distância…