Saia Godê: o clássico encantador

Em um sábado desses qualquer, estava eu organizando meus tecidos como quem não quer nada, e segurando um chambray, tive um daqueles meus estalos rotineiros: vou fazer uma saia godê!! Não foi revista, nem TV, nem blog, nada, minha vontade de ter certas peças de roupas vêm da minha mente mesmo, fico criando modelos desde pequena, vendo tecidos imagino peças prontas, não durmo pensando na ansiedade de vestir aquela saia, ou blusa, ou macacão, ou qualquer outra peça que pensei.

Corri, coloquei na mesa de costura de titia, e pedi pra ela me ensinar o corte. Como meu tecido não era suficiente para uma saia godê buraco, como se chama, tive que contar com a perícia dela em aproveitar ao máximo o pano, e mesmo não saindo das minhas mãos, a felicidade de ter uma saia tão rápido – e linda – me encheu de alegria. E transbordou, merecendo um post aqui no blog pra explicar, bem ligeirinho o que é a tal da saia godê, um clássico que encanta toda a mulherada.

A saia godê – quem é leitora do blog sabe bem – é muito representativa do new look de Dior, lá dos anos 50; é bem rodada, leva muito, mas muito pano, e, simbolicamente, esse excesso de tecido traduz o anseio pela abundância logo após a Segunda Guerra Mundial. Depois de anos de recesso, era preciso ostentar, exagerar…e Dior fez isso muito bem.

Como exala feminilidade, e elegância, nunca saiu de moda. Lembro muito bem que minha paixão pela saia godê veio assistindo Grease; sonhava com as saias da Sandra Dee, essa amarelo pastel, da foto abaixo, é uma peça que ainda quero ter, só achar o tecido certo, de caimento legal, e farei uma certamente.

Soube por titia que há uma bifurcação da saia godê: a buraco, e a semigodê. A diferença entre uma e outra, certamente, é a quantidade de tecido empregada. A godê buraco leva mais de um metro de tecido(de comprimento médio), mas é mais fácil de fazer que a semigodê, que foi a que titia fez pra mim porque não tinha pano suficiente para a primeira. Essa última exige um pouco de jogo de cintura no corte, mas tenho esperança de um dia aprender direitinho, e até gravar um vídeo pra vocês, why not?

Separei abaixo como é feito o corte da godê buraco, e ainda o passo-a-passo da saia:

Mas, Rose, e os looks com saia godê? Calma, tem também! Godês curtinhas, médias, e em comprimento midi. Não sei dizer se prefiro a godê curta, ou a midi, por exemplo, acho que cada uma tem seu charme, e o legal é ter pelo menos uma de cada pra gente ir se estudando, criando composições legais, inovadoras…

Ah, e minha saia de chambray? É look para os próximos posts…

Ladylike na velocidade 5: anos 50 em evidência!

Faz um tempinho que eu vi um editorial da Louis Vuitton, com modelos no mais alto estilo ladylike, e cabelo impecável, lembrando as donas de casa dos anos 50. E logo me veio à cabeça a seguinte pergunta: Será? Será que os anos 50 voltaram a ser tendência?

E depois de muito pesquisar para contar tudo às amyghas constatei que sim, e não é privilégio desta temporada.

Fiquei doida com o que achei: viva Grease e todos aqueles trajes estilosos, e menininhas de corpo ampulheta! Viva Dior e sua criação do New Look, em 1947!

Tá, tá, vamos ao que interessa, né?

Pra comprovar o que digo, dêem só uma olhadela no editorial de setembro deste ano da Vogue australiana, que teve como pano de fundo os anos 50, e trouxe Catherine McNeil como protagonista dos cliques.

As fotos não parecem retratar cenas de Grease? Será que foi inspirado no musical da Sandy e do Danny Zuko?

Vocês poderiam se perguntar como fazer para adaptar a tendência para o mundo real, sem ficar muito com traje de Sandy e Júnior naquela época que nós sabemos bem(tô ligado em você, agora é pra valer, hu, hu, hu!). E tudo fica claro quando respondemos à seguinte indagação: O que os anos 50, em termos de moda, trazem de tão bom, a ponto de inspirar o outono/inverno europeu, e refletir na primavera/verão 2010/2011 brasileira?

Os anos cinqüenta devolveram toda a feminilidade da mulher, e isso basicamente implica em elegância… e cinturinha marcada! É o godê, a renda (resistindo a mais uma estação), o corselet, são os babados, as pregas, os óculos gatinho, os lacinhos…ai, ai, é simplesmente apaixonante! Mas não dá pra usar tudo junto, tá? Hi-lo forever!

No nosso Brasil varonil, os anos 50 influenciaram claramente as coleções de primavera/verão das seguintes marcas: Triton, Fause Haten, Espaço Fashion, e Filhas de Gaia, dentre outras:

Doida por uma godê curtxenha(vai ser sensação no calorzão) em tom pastel …E vocês?