Emma Watson: estilo e empoderamento feminino numa só pessoa

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Hoje é Dia Internacional da Mulher e, muito embora eu entenda que a batalha por igualdade de gêneros deva se dar todos os dias, horas e minutos de nossas vidas, resolvi dedicar um post especial a uma garota que nos últimos anos vem se destacando por seus discursos maravilhosos em prol dessa igualdade. E não vamos falar só de seu estilo ( já até dediquei um post antiguinho a ela, coloquem o nome dela no busca que aparece), porque ela TEM MUITO A NOS DIZER. Falo de Emma Watson.

Para começar sim, acho que Hermione ensinou muito à Emma: ser uma bruxa num universo masculino como o mostrado em Harry Potter significa. E ser uma bruxa sagaz, inteligente, destacada dos meninos significa muito mais. Não sei precisar se Emma buscou Hermione ou se Hermione buscou Emma, só sei que, em um mundo predominantemente machista, onde você é mandada “não se estressar” quando soltam piadinhas ofensivas ao gênero feminino, significando esse “stress” apenas e tão somente o fato de você questionar a piada, seus discursos recentes ensinam muito a todas nós. Vejamos um deles, proferido por ela durante a Campanha #HeforShe:


Durante muito tempo achei que o feminismo era representado pelo grupinho que curtia botar peito de fora, queimar sutiã, não se depilar…que ignorante eu era! Se hoje temos alguns direitos, agradeçamos às feministas (de verdade, as que lutam por respeito e liberdade feminina), de joelhos, e reproduzamos seus discursos a nossas sobrinhas, filhas, netas, e filhos, netos, sobrinhos, vizinhos…

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Acho engraçado que, desde que decidi não deixar passar nenhum comportamento machista por meu crivo (demorei demais, mas certas atitudes contra pessoas próximas à gente dão aquele ‘se ligue’ necessário), sempre questionando (meninas do Dicas Femininas do Viber, vocês são maravilhosas!!), e devolvendo na mesma moeda, recebo de volta um “vá se tratar”, ou sou chamada de feminista como se isso fosse pejorativo. Certamente, se não estivéssemos em um grupo de whats app combatendo, por exemplo, mas numa conversa entre duas pessoas, os homens dirião “é falta de R***”, no lugar de “vá se tratar”. E não, isto não é uma conversa sobre falta de qualquer coisa, muito menos de r*** porque sou casada, e muito bem casada, com um homem maravilhoso, que cozinha, é vaidoso, e que posso passar o dia enumerando suas qualidades enquanto ser humano que é, porque criado por uma mulher de fibra, que abdicou de sua vida profissional para criar quatro filhos e mostrar o quão as mulheres devem ser respeitadas (sim, isso é um comportamento feminista). Acrescento que, ainda que não fosse casada, pode ter certeza que, se colocarmos na balança certos homens (certos, não todos, por favor, esse não é um papo man-hater, jamais!!!) e certos vibradores, os vibradores ganhariam de dez a zero em eficiência, e ainda dispensaria a gente de ficar ouvindo chorume machista pela casa.

O que mais me desola é que, das meninas, recebo a resposta em privado: “sossegue, deixe pra lá”. Só que, me corrijam se estou errada, Maria da Penha foi deixando para lá, e foi preciso levar tiros e restar paraplégica para que pudesse lutar contra um relacionamento abusivo (aliás, já me encontrei com o algoz dela numa secretaria de juizado especial dessas, e a forma com a qual ele tratou as servidoras foi de enojar, o cara é um misógino patológico). Será mesmo que “deixando para lá” estou fazendo meu papel social? Não, não estou, e decidi questionar quantas vezes for preciso, mesmo que isso implique em ser reprovada pelas amigas, principalmente, porque se eu o faço, o faço também por elas.

Em um mundo onde nossas mães nos botam ao mundo, e nos dão nossa base de criação, mas nós reproduzimos o comportamento de nossos pais, é preciso reconhecer o papel que uma mulher exerceu em nossas vidas, e passar a mensagem adiante. Não é porque os homens, em uma época da história foram os provedores do lar ¹ (mesmo eu achando que há controvérsias sobre o que é ser “provedor” do lar), que a gente deve se esquecer de que quem buscava o alimento para a tribo éramos nós, mulheres (conseguir um animal para alimentar-se era raro, e as tribos primitivas se alimentavam basicamente dos vegetais que as mulheres coletavam). A gente precisa se reconhecer no passado, e se valorizar no presente, cavando um futuro melhor para nós e as gerações que virão.

Nem queria dizer pra vocês, e vou desapontar muitas, mas o feminismo pode até não ser encontrado nos peitos de fora das meninas do FEMEN, mas está presente tanto nos desenhos da Disney (querem desenhos mais feministas que Mulan, Frozen e Valente?) quanto nos milhares de músicas de Beyonce, e de Madonna, por exemplo.

Não é segredo pra ninguém que sou louca por Frozen, e uma frase me bastou para me apaixonar pelo desenho: a de Elsa, quando questiona à irmã se ela vai casar com alguém que mal conheceu. Tem discurso mais empoderador que esse? Vejam a letra de let it go, e me digam  que acham…

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Feminismo é uma pecha? Aceito levar essa pecha que me eleva ao patamar das maiores divas da música mundial. E espero que vocês também aceitem, e sim, nos indignemos e lutemos pela igualdade de gêneros, ao nosso modo, mas peço: não se calem, por favor, porque lutar por um futuro melhor para nós e para as meninas (e meninos) que virão é nosso dever.

Se vocês não leram o post – mas eu falei por aqui – da cerimônia do Oscar, sobre o movimento das atrizes, diretoras, enfim, mulheres da indústria cinematográfica, chamado de #AskHerMore, saibam que ele surtiu efeito: às meninas foi perguntando muito além do que elas estavam usando, as câmeras que filmam as jóias de suas mãos foram retiradas, Patrícia Arquette deu um discurso maravilhoso e foi aplaudida de pé. São coisas assim que as feministas fazem, e devemos apoiar esse movimento, porque a todas nós beneficia, às mulheres machistas também.

Exemplos, ah, esses não faltam: Malala, Lena Dunham, Annie Lennox, Frida Kahlo, Simone de Beauvoir, Clarice Lispector, Nélida Piñon, Coco Chanel, Edith Piaf…poderia passar o dia aqui enumerando mulheres maravilhosas que lutaram e lutam ainda por igualdade de gênero. Porque ser feminista não é escrever um livro com letras garrafais “Feministas por Dummies”. O feminismo está mais na sutileza das atitudes, da escrita, e dos detalhes que vocês imaginam. Está nesse blog, por exemplo, em várias passagens.

Bom, era esse o recado que queria passar pra vocês nesse dia, algumas poucas linhas, mas que, espero, façam a gente repensar nossos conceitos, do quão cruel estamos sendo com nossas amigas que gostam de usar uma roupa mais curta (ela pode estar querendo apenas usar uma roupa curta, e isso não deve torná-la uma pessoa disponível para estupros ou assédio), ou que estão acima do peso, por exemplo…que tal refletir e tentar mudar, aos poucos, evitando julgar, e respeitando mais? Porque o mundo precisa é de amor, e amor gera respeito.

Passado esse post-desabafo-panfletário, separei uns looks maravilhosos de Emma, e também um clipe de Beyonce que me representa tanto, mas tanto, que se eu a visse pessoalmente dava um cheiro no olho e diria: beesha, tu me representa!!!

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Enjoy, e Feliz Dia Internacional das Mulheres para todas nós!

ps: a quem interessar possa, achei um vídeo da Gabbie muito esclarecedor sobre ser feminista, quem quiser assistir só clicar AQUI.

 

(1) Segundo Evelyn Reed: Isto é uma falsificação da história natural e social. Não é a natureza, e sim a sociedade de classes que rebaixou a mulher e elevou o homem. Os homens obtiveram sua supremacia social através da luta contra a mulher e suas conquistas. Mas esta luta contra os sexos era somente uma parte da grande luta social: o desaparecimento da sociedade primitiva e a instituição da sociedade de classes. A inferioridade da mulher é produto de um sistema social que causou e proporcionou inumeráveis desigualdades, inferioridades, discriminações e degradações. Mas esta realidade histórica foi dissimulada atrás de um mito da inferioridade feminina.

(…)

Mas isto não existiu sempre: possui somente alguns milhares de anos. Os homens não foram sempre o sexo superior, uma vez que não foram sempre os dirigentes industriais, intelectuais e culturais.

VSMT: Rock in Rio 2011(line-up 29/09), dia 5

Agora nos restam poucos dias, e minhas sugestões de looks para o Rock in Rio ficará completa!

No dia 29/09, vão dar as caras no Palco Mundo: Concerto Sinfônico Legião Urbana; Janelle Monáe; Ke$ha; Jamiroquai; e Steve Wonder. E a minha inspiração foi a Janelle, que ama uma androginia no look, sempre a vejo com peças bem masculinas, mas sem perder a feminilidade.

Na verdade, tentei misturar o estilo da Janelle, com as necessidades de quem vai curtir um festival que vai durar horas, e um toque de um look que Emma Watson usou num festival que rolou por aí(não lembram? Cliquem aqui).

Transportando o estilo da nova diva para o look de hoje, o toque boyish ficou por conta dos suspensórios, que ao mesmo tempo em que têm uma alma masculina, trazem algo girlie: a estampa de oncinha.

Pra fazer essa composição, eu usei:

Blusa – Presente de Mamis

Short preto – C&A

Suspensórios  de oncinha – Spicy

Tênis – All Star

Relógio – Tecnet

Pulseira – Lojinha de 1,99 do Centro

E pra não perder o costume, um clipe do Jamiroquai (extraído do canal Academy Plus A, do Vimeo), um dos mais bacanas já vistos por mim, além de ter a cara da minha adolescência(sou saudosista, gals, não me levem a mal):