Gosta de moda? Assista à True Cost

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Não, hoje não vou falar sobre filme contando a biografia da Chanel. A dica de hoje vai pra quem ama moda, e ama consumo de moda. Sim, porque se temos o poder de compra, temos responsabilidades pela forma com a qual compramos. Com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades, já dizia o Tio Ben, do Homem Aranha.

O documentário que estou recomendando no post de hoje, o True Cost, manda essa mensagem direto pro nosso coração. Será que a gente sabe o preço que custou aquela blusinha legal que a gente comprou na H&M? Dou uma dica: vai muito além daqueles números fixados na etiqueta.

True Cost é um premiado documentário que mostra o que eu já vinha falando em posts esparsos aqui pelo blog, que a gente precisa mudar a forma como a gente consome, ou estaremos ingressando num caminho sem volta, dizimando vidas de pessoas inocentes, e matando a nós mesmos com o crescimento da poluição, pois, como já disse em um post certo dia, pra fazer aquela sua calça jeans bapho, foram gastos litros e litros de água que poderiam estar matando a sede de crianças na África, por exemplo. Comprar uma pecinha legal numa fast fashion pode ter custado a vida de um trabalhador de sweatshop (ou de milhares), ter implicado no nascimento de uma criança com problemas mentais, mas enchido bem os bolsos do empresariado, e isso vocês não vêem nos vídeos intitulados de “comprinhas” ou “fashion haul”, que algumas blogueiras fazem por aí. O preço, meus amigos, é bem mais caro do que está na etiqueta, bem mais…

O documentário mostra uma preocupação, e um alerta; ou a gente tira a viseira pra enxergar um pouco além, ou nossa imbecilidade vai nos levar à extinção. Vejam o trailer só pra terem uma ideia do que falo:

 


Quem se interessou, e quer ver o documentário todo, tem no Netflix, e acho que naqueles canais que passam filmes online também. Recomendo pra quem lê esse bloguinho aqui assistir, e repensar sobre o que a gente quer pro futuro. Eu não sou hipócrita pra dizer que não piro numa liquidação da Marisa, e que não ficou louca no Aliexpress; mas podem acreditar, comprar peças nessas lojas têm me feito refletir bastante, e mudar, aos poucos o meu jeito de consumir. Prioridade pra mim tá sendo usar ou roupas que faço ou que minha tia faz pra mim, além de adquirir peças de pequenos produtores. Para cada dez peças que tenho adquiridas de forma sustentável tenho uma ou duas de fast fashion, e vale um toque: já reparei que enquanto tenho peças costuradas por titia há mais de dez, doze anos, que estão zeradas, novinhas, peças minhas compradas nas fast fashion com 3 meses de pouco uso já estão detonadas. Então, tem alguma coisa errada aí, e a gente precisa parar pra pensar nisso.

Ah,  além do doc,  indico dar uma passeada pelo site True Cost (truecostmovie.com), me inscrevi lá e recebo muita coisa interessante no meu e-mail, entrevistas, matérias…vale a pena!

Porque a moda não se resume ao look do dia, nunca se resumiu a isso.

Dica de reality: Sweatshop – Deadly Fashion

O post de hoje é dica de reality show, daqueles que provavelmente pouquíssimos blogs de moda irão divulgar; se calaram diante do trabalho escravo descoberto na Zara no Brasil, e provavelmente farão o mesmo diante desta série chocante, produzida pelo jornal norueguês Afterposen, que jogou nas fábricas do Cambodja três blogueiros de moda para que eles pudessem vivenciar a odiosa cadeira produtiva têxtil das grandes fast-fashion do mundo, como por exemplo a H&M.

O “Sweatshop – Deadly Fashion” deixa latente o que se esconde por trás das etiquetas: mão-de-obra escrava (para os padrões internacionais de trabalho (OIT),  porque no país deles o trabalho é LEGAL), e péssimas condições de trabalho. E não dá pra fechar os olhos a quem reduz à condição escrava um ser humano.

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Não vou ser hipócrita e dizer que NUNCA comprei em uma loja que se utilizasse de mão-de-obra nestes termos. Porém, confesso que ao saber do caso Zara no Brasil, passei um bom tempo sem adquirir nem incentivar o uso da marca; sobre o caso do grupo Animale/Le Lis, nunca adquiri nada deles, e fiquei revoltada quando soube que se utilizavam de mão-de-obra escrava, mesmo terceirizada ou quarteirizada, principalmente pelo preço que encontramos nessas lojas. Sobre o Aliexpress, sim, adquiro algumas peças, e, a bem da verdade, não sei ao certo discernir o que ali é fruto de trabalho escravo, e o que não é, já que andei pesquisando relatos de brasileiras que vivem na China, e elas falam que tudo lá é mais barato, da matéria-prima à mão-de-obra. A verdade é que, de algum tempo pra cá, pouco tenho feito posts de aquisições de roupas ou acessórios. Quem acompanha o blog desde o começo viu que tenho reduzido substancialmente esse tipo de postagem. E não curto fazer vídeos de aquisições (os famosos “hauls”). Tenho uma opinião bem peculiar sobre esse tipo de vídeo, e me reservo o direito de não externar.

Em adendo, também sou sincera em dizer que gradativamente tenho deixado de adquirir em grandes lojas, e prestigiado o pequeno empresário (a Loja Prosa, da Carol Burgo, por exemplo), ou as costureiras (90% do meu guarda-roupas sai do ateliê da minha tia). Inclusive, acerca do impacto que as grandes empresas causam ao mundo, vale assistir o documentário “A Corporação”, que trago abaixo na íntegra pra vocês:


Voltando ao reality, achei de uma sacada genial sua produção, principalmente porque grande parte das pessoas só se toca de algo quando passa a viver a vida do outro fisicamente. Se muitos fizessem esse exercício, de se colocar no lugar do outro, mesmo que mentalmente, acho que a gente não vivia no mundo em que vive, né? Os blogs de moda, ah, os blogs de moda, seriam menos ostentação, e mais consciência e sustentabilidade.

Portanto, peço a vocês, leitoras, que gastem dez minutinhos por dia, que seja, e assistam aos cinco episódios de Sweatshop, que pode ser encontrado AQUI, com legendas em inglês.

O trailer tá aqui:


Porque o mundo é injusto, mas isso não significa que a gente tenha que se conformar com ele, nem muito menos achar que não fazemos a diferença.

Um alerta aos pais, e aos que serão pais: documentário Muito Além do Peso

Muito embora esse blog seja sobre moda, e similares, me sinto no dever de compartilhar esse importante documentário, chamado Muito Além do Peso. Ele traz preocupantes dados sobre os hábitos alimentares das crianças de hoje (e adultos de amanhã). A coisa é séria, muito séria, e tudo pode começar por uma inocente mamadeira de Coca-Cola, que desencadeia um processo doloroso, sofrido, de lidar com os filhos, mais que obesos, portadores de doenças sérias.

Peço que assistam, um tempinho na tela do computador pode salvar a vida do seu filho(a):