Cropped Ripped Jeans: Quero!

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Não se viu nada mais recorrente nos arredores das semanas de moda do hemisfério norte que o jeans cropped: tinha pantalona jeans “pega bode”(traduzindo pra o popular o termo cropped), calça baggy “pega bode”, skinny “pega bode”…a calça encurtou, fato. Mas, se ela não veio curta de fábrica, com barrinha feita, também não teve problema pras fashionistas: as beeshas pegaram qualquer jeans que tinha no armário e passaram uma tesourada seguida de uma desfiada nele, e voilá! Tem-se uma peça estilosa sem gastar nenhum real pra isso, só tempo mesmo.

Eu, muito fã de reformar minhas roupas, já até selecionei acolá um jeans pra dar essa trabalhada na barra, não posso ver um rastro de peça customizada nos desfiles que já fico me coçando pra começar minha produção. O legal mesmo é que a calça seja aquela mais larguinha na perna, estilo pantalona mesmo(calça boca de sino também), ou a de modelagem reta, estilo anos 90, foi o que mais vi no street style. Escolhida a calça, o corte pode ser feito mais ou menos uns dois ou três dedos acima do tornozelo; para as ousadas, dá pra deixar mais curta a barra na parte da frente da calça e mais comprida atrás, vi alguns modelos assim e achei massa! Compilei umas ideias aqui pra vocês:

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Imagens: reprodução

Ah, e sabem o que achei mais legal de esse tipo de calça ter caído no gosto da galera? É que a tendência vem com um pouco de consciência de consumo. Ora, dá pra trabalhar com o que a gente tem em casa, sem precisar ir a uma loja e adquirir mais uma calça jeans, que, como já falei por aqui, degrada o meio ambiente de forma impactante. Portanto, nada de comprar jeans novo, tenho certeza que, se você não tiver uma calça com modelagem legal em casa, em brechós, e bazares de bairro dá pra encontrar um jeans massa pra reciclar e sair lacrando por aí!

Saia Godê: o clássico encantador

Em um sábado desses qualquer, estava eu organizando meus tecidos como quem não quer nada, e segurando um chambray, tive um daqueles meus estalos rotineiros: vou fazer uma saia godê!! Não foi revista, nem TV, nem blog, nada, minha vontade de ter certas peças de roupas vêm da minha mente mesmo, fico criando modelos desde pequena, vendo tecidos imagino peças prontas, não durmo pensando na ansiedade de vestir aquela saia, ou blusa, ou macacão, ou qualquer outra peça que pensei.

Corri, coloquei na mesa de costura de titia, e pedi pra ela me ensinar o corte. Como meu tecido não era suficiente para uma saia godê buraco, como se chama, tive que contar com a perícia dela em aproveitar ao máximo o pano, e mesmo não saindo das minhas mãos, a felicidade de ter uma saia tão rápido – e linda – me encheu de alegria. E transbordou, merecendo um post aqui no blog pra explicar, bem ligeirinho o que é a tal da saia godê, um clássico que encanta toda a mulherada.

A saia godê – quem é leitora do blog sabe bem – é muito representativa do new look de Dior, lá dos anos 50; é bem rodada, leva muito, mas muito pano, e, simbolicamente, esse excesso de tecido traduz o anseio pela abundância logo após a Segunda Guerra Mundial. Depois de anos de recesso, era preciso ostentar, exagerar…e Dior fez isso muito bem.

Como exala feminilidade, e elegância, nunca saiu de moda. Lembro muito bem que minha paixão pela saia godê veio assistindo Grease; sonhava com as saias da Sandra Dee, essa amarelo pastel, da foto abaixo, é uma peça que ainda quero ter, só achar o tecido certo, de caimento legal, e farei uma certamente.

Soube por titia que há uma bifurcação da saia godê: a buraco, e a semigodê. A diferença entre uma e outra, certamente, é a quantidade de tecido empregada. A godê buraco leva mais de um metro de tecido(de comprimento médio), mas é mais fácil de fazer que a semigodê, que foi a que titia fez pra mim porque não tinha pano suficiente para a primeira. Essa última exige um pouco de jogo de cintura no corte, mas tenho esperança de um dia aprender direitinho, e até gravar um vídeo pra vocês, why not?

Separei abaixo como é feito o corte da godê buraco, e ainda o passo-a-passo da saia:

Mas, Rose, e os looks com saia godê? Calma, tem também! Godês curtinhas, médias, e em comprimento midi. Não sei dizer se prefiro a godê curta, ou a midi, por exemplo, acho que cada uma tem seu charme, e o legal é ter pelo menos uma de cada pra gente ir se estudando, criando composições legais, inovadoras…

Ah, e minha saia de chambray? É look para os próximos posts…

Vídeo de sábado: curta The Dress(por David Anthony Parkinson)

Muitas de vocês só devem conhecer a etapa final de um processo de produção de uma peça de roupa. Tudo chega mastigadinho, quase empurrado goela abaixo. A sociedade atual acabou deixando o artesanal de lado, a coisa feita à mão, e acabou se rendendo ao império das fast-fashion, que fornecem tendências mastigadas e impessoais em suas multi-araras espalhadas mundo afora. O capitalismo se uniformizou, e aquela coisa deliciosa de vestir uma peça feita pra você, unicamente, acabou meio de lado, deixada num cantinho…

Eu, pelo contrário, cresci na outra margem do rio, e quando mergulhei, continuei nadando da em sentido oposto, resistindo firmemente à correnteza. Acompanhei, desde muito nova, todo o processo de concepção de uma peça de roupa; aqui em casa, as conversas com as clientes, a procura do modelo nas revistas, a anotação das medidas, o tal do “ponto de prova”, e por fim, a peça finalizada, sempre foram – e continuam sendo – meu dia-a-dia ao lado da minha tia. E o que parece banal para muitos, me parece magia, ou qualquer outra coisa extraordinária que valha. Aprendi muito, inclusive a olhar um tecido e na mesma hora imaginar a peça pronta, e por isso, talvez, eu seja a companhia ideal de titia em suas compras de tecido e aviamentos desde meus 11, 12 anos. Já é intrínseco, natural, e espontâneo.

Ao que me parece não estou só, tenho visto uma galera desbravando o mundo da costura. Um estilista que não põe a mão na massa, não merece ser estilista. Tem que dominar a cadeia de produção, tem que costurar. Como saberia o caimento de uma peça desenhada se não passasse pela parte empírica da coisa?

E bem por isso eu super me identifiquei com o vídeo The Dress, de David Parkinson, que acabei achando no Vimeo ainda agora. O curta mostra bem esse caminho percorrido entre idealizar uma peça, e finalmente tê-la em mãos. Muito bacana:

Fascinante, né? Agora imaginem isso acontecendo com vocês? Toda vida que faço uma peça de roupa pra mim, que provo, e caio na real que saiu de minhas mãos, não dá pra descrever, é sublime essa sensação. Coisas de quem viu a vida inteira sonhos se transformando em realidade bem ali, a um palmo de distância…